As CorintiANAS em “A Sem Pudores Do Pé Vermelho”
QUALQUER semelhança entre esta obra e a realidade é mera coincidência. Eis uma obra de ficção.

Ana de Fátima era a mais velha de uma família composta por 14 irmãs. Sua mãe a teve aos 16. Ana, que era fruto de um passeio pela BR que corta a cidade de Corinto em direção a BH, era uma mulher bonita. Chamava a atenção de todos em seu bairro, Capim Gordura. Ana de Fátima era casada com Zé Bodoque, dono de um famoso boteco de Corinto “O Copo Sujo”. Fátima trabalhava como lavadeira, motivo pelo qual Zé Bodoque era conhecido por “Zé da Lavadeira”.
Ana de Fátima era mulher correta, esposa dedicada, freqüentava todas as novenas, ia a missa todos os domingos e era trabalhadora. Passava as tardes ao lado de dona Tocha e dona Tita lavando roupa para as madames de Corinto. Aos sábados, quando sobrava tempo, pela tarde, fazia biscoito no forno de tambor. Mas, era no sábado à noite que gostava de dançar ao som de Edmilson Batista, O Cowboy dos Teclados, no salão do boteco Copo Sujo, onde todos a reparavam e desejavam, apesar de estar sempre muito recatada. Ana era a esposa que todos os homens sonhavam. Casta, comportada e honesta.
Kid Afonsinho, notório cidadão de Corinto, também era um dos que reparava em Ana de Fátima. Durante as festas juninas, o boteco Copo Sujo tinha sua tradicional fogueira de São João, onde todos os moradores do bairro compareciam. Kid Afonsinho, como muso que é, logo se aprontou e se perfumou, foi logo admirar Ana de Fátima e se possível a convidaria para dançar. Kid chegou, comprou seu quentão e olhou em volta a procura de Ana e lá estava ela, perto da pista de dança, sozinha, observando os casais que dançavam, já que seu Zé estava cuidando do bar. Kid se apressou para convidá-la para dançar ao som da música “Quem sabe dança quem não sabe só balança”, hit absoluto na parada de sucesso das rádios de Corinto. Ana aceitou o convite e dançaram além daquela música outros sucessos embalados por Robério e Seus Teclados, além da grande atração da noite: Chico Rei e Paraná. Durante a noite Kid, já bêbado, declarou-se para Fátima, que ficou perplexa, virou-se e o deixou falando sozinho. Kid, desesperado de amor, dormiu na beira da fogueira. Ana, que era fiel, ficou surpresa com a declaração de Kid, mas acima de tudo, mas também ficou balançada, mesmo que não admitisse para si mesma, já que ao seu ver era inconcebível aquela relação.
Passado alguns dias do ocorrido, Kid começou a observar Ana, dona Tita e dona Tocha lavando roupa, através do muro, que na verdade era uma cerca de arame farpado. Dona Tita e Dona Tocha, mais por achar engraçado do que por qualquer outra coisa, já que as velhas era incrivelmente feias, dos pés rachados e com cabelos brancos que necessitavam urgentemente de tintura. Ana, que estava mexida com a declaração de Kid Afonsinho, quando percebeu que estava sendo espionada, sentiu-se de certa forma feliz. Com o passador dos dias, começou a sonhar e suspirar por Kid. Começou, também, a adotar roupas mais decotadas. Ana começava a descobrir em si mesma uma coragem que antesnão tinha. Apesar de ser uma esposa dedicada, estava cansada da monotonia de seu casamento, já que seu Zé sempre chegava com bafo de cachaça ou chegava tarde devido as intermináveis partidas de truco, no qual ele já havia perdido nas apostas quase todos os porcos do chiqueiro.
Em uma tarde de sexta-feira, Ana, depois de muito pensar e tomada por uma paixão incrontrolável, resolveu surpreender Kid. Correram para os matos dos arredores de Corinto. Se amaram muito, apesar dos inúmeros carrapichos e formigas do rabo-quente que grudaram em Ana e Kid. Os encontros começaram a acontecer com mais freqüências, até que dona Tita e dona Tocha levantaram a suspeita, já que Ana sumia durante as tardes nas quais costumavam lavar roupa, sendo assim, resolveram averiguar. Certificado o fato, logo trataram de colocar a fofoca na roda da cidade. Todos estavam comentando das puladas de cerca de Ana com Kid Afonsinho. A praça da cidade fervilhava de pessoas por volta das 6 da tarde. Quando a história chegou aos ouvidos de seu Zé, que agora ficou conhecido como “Zé Da Galhada”, ele logo tratou de descobrir onde era o ninho de amor dos dois safados. Em uma tarde, acompanhado de sua carabina, tratou de seguir Ana até o mato, até que viu os dois se agarrando atrás de um pé de árvore. Jurou que iria castrar Afonsinho. Jurou que iria sacudir Ana pelos cabelos. Mas, em seu caminho, havia um porco espinho. Quando seu Zé deu o primeiro grito no momento em que foi surpreendido pelo bicho, Ana e Kid sabiam que estariam perdidos se não corressem dali. Pegaram uma carreira até a cada de Kid e de Ana, apanharam algumas roupas, as economias que Kid havia ganhado performando sucessos sertanejos e fugiram para Belo Horizonte. Kid e Ana, que se revelou uma boa bisca, se casaram e nunca mais foram vistos em nas redondezas de Corinto.

Comentários em: "As CorintiANAS em “A Santinha do Capim-Gordura”" (3)
Me diverti horrores.
Até o muso do Culpadekeka, Kid Afonsinho, abrilhantou a história.
Curtindo muito esta série.
Ana, vc ahazou!!!! x_F
uhasshauhsuahsuasa gente, eu tinha que colocar Kid no meu post! Morro horrores com ele!
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